Fique por dentro

Professor diz que políticas afirmativas para negros podem mudar perfil das elites

nov 23, 2006 | Geral

As políticas públicas e ações afirmativas para os negros, como as cotas em universidades, são ações que pretendem modificar o perfil da elite brasileira, e não realizar uma transformação social radical. A opinião é do professor adjunto da Universidade Federal de São Carlos (SP) e presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, Valter Roberto Silvério.

Hoje (20), data em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra, o professor Silvérior proferiu a palestra Políticas Públicas e Ações Afirmativas para os servidores do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), em Brasília. De acordo com Silvério, as políticas afirmativas são a única forma de mudar o perfil das posições de “decisão” no país.

“Nós estamos comemorando mais de 100 anos de abolição da escravatura e ainda reproduzimos a idéia de que a situação do negro no Brasil é uma situação que tem a ver com o seu passado escravocrata”, disse.

O professor citou exemplos de algumas sociedades multirraciais, como a indiana e a norte-americana, que têm perfil social parecido com o do Brasil, mas conseguiram, por meio de políticas de ações afirmativas, mudar o perfil de suas elites.

“Basta ver, por exemplo, sociedades como a hindu, na Índia, em que temos pessoas de diferentes castas nos seus quadros dirigentes. Da sociedade americana, de que a gente sempre imita tanta coisa, não queremos imitar essa política que foi uma política que revolucionou os cargos do sistema decisório norte-americano”.

Para o professor Silvério, o Dia Nacional da Consciência Negra representa uma luta de mais de 400 anos da população negra no Brasil. “Zumbi talvez seja o grande representante de uma possibilidade que nós perdemos, há 400 anos atrás, que era construir uma república multicultural, já que os quilombos eram locais a que todos aqueles que não eram aceitos pela sociedade se dirigiam”, lembrou.

“Trazer à memória o 20 de novembro, a partir da década de 70, pelo movimento negro contemporâneo, foi um pouco essa idéia de que é possível você construir uma república em que a sua pertença étnico-racial não seja um empecilho para que você se desenvolva enquanto ser humano, enquanto sujeito, enquanto cidadão”.

admin
admin

0 comentários