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Confira na íntegra discurso do deputado Pedro Kemp

fev 15, 2007 | Geral

Discurso: abertura dos trabalhos legislativos na Assembléia Legislativa

Autoridades Presentes

Senhoras e senhores

Representando a bancada do Partido dos Trabalhadores nesta casa, em meu nome e em nome dos Deputados Amarildo Cruz, Paulo Duarte e Pedro Teruel, gostaria de saudar a todos e a todas, expressando nosso desejo de que o período dos trabalhos legislativos ora iniciado seja marcado por grandes debates em torno de temas de relevante importância para os destinos de Mato Grosso do Sul.

A nova legislatura, com certeza, será pautada por enormes desafios se trabalharmos na perspectiva da construção de um Estado que saiba combinar o desenvolvimento econômico, com o respeito ao meio ambiente e à nossa diversidade cultural, e com a redução da desigualdade social e a promoção do bem-estar da população.

Sem dúvida, este será o grande objetivo que nos congregará, apesar de nossas divergências decorrentes das diferentes posições político-ideológicas que temos entre nós.

Muito temos ouvido neste início do ano acerca da situação do nosso Estado. Penso que, dentre muitas avaliações, há análises precipitadas e observações injustas com a recente história de Mato Grosso do Sul. Num determinado órgão de comunicação cheguei a ler a expressão “caos financeiro” herdado pela atual administração.

Obviamente, não podemos concordar com essa imprudente declaração, pois se assim o fizermos, como poderíamos adjetivar o quadro que herdamos há oito anos quando tivemos que saldar em apenas um ano 17 folhas salariais, com uma arrecadação inicial na casa dos 50 milhões de reais? Quando viajávamos, como numa triste aventura, por estradas intransitáveis? Quando a ausência de políticas públicas e programas sociais imperava? Quando a famigerada dívida do Estado já nos sufocava e nos impedia de realizar qualquer investimento? Quando a estagnação econômica nos tolhia a oportunidade de entrever novos horizontes para nosso povo?

Não creio, assim, ser esta avaliação ponto de partida para lugar algum. Mas sim, sobre quais conquistas obtivemos e como, a partir delas, poderemos avançar ainda mais.

É inegável que a situação do Estado é bem diversa daquela de anos atrás. Temos problemas? É claro que os temos. E muitos deles, talvez os mais desafiadores, como o da dívida, por exemplo, não são exclusivamente nossos, mas comuns a maioria dos Estados da Federação. São problemas estruturais e, portanto, vão requerer iniciativas mais amplas que extrapolem a discussão a respeito da sua origem e evolução. Que dívida é essa? Quem a contraiu? Como foi negociada? Trata-se, de se responder a tais questionamentos ou de se propor como administra-la ou como renegocia-la novamente? Adianta-nos transformá-la na grande justificativa para o que não poderemos fazer? Ou trata-se de transforma-la no desafio maior para superarmos nossos próprios limites?

Muito já se conquistou nos últimos anos. Não só iniciamos um debate sobre a necessidade da diversificação de nossa base produtiva, historicamente limitada ao binômio boi e soja, como demos passos concretos na atração de empresas e capitais para a abertura de novas oportunidades de investimentos.

Reformamos, ampliamos, construímos escolas, centros de saúde, centros de serviços públicos, equipamentos sociais, áreas de lazer, habitações populares. Asfaltamos, recuperamos estradas, viabilizamos o gás natural, inovamos na disponibilização de novos recursos para a infra-estrutura e a ação social com o Fundersul e o FIS. Há muito um governo neste Estado não terminava seu mandato pagando em dia os salários dos servidores e quitando o 13º salário no mês devido. Implantamos com muita ousadia uma rede de programas sociais, priorizando o investimento no ser humano e fomos às periferias, atingimos os acampados e assentados e chegamos às aldeias indígenas. E o que muitos rotulam de assistencialismo, propiciou a milhares de famílias vislumbrarem novas perspectivas de vida e de futuro para seus filhos.

O Estado passou a olhar os pequenos e inserimos no vocabulário das pessoas a preocupação com a inclusão social. Talvez, por este motivo não atingimos a situação de degradação social a que muitos Estados chegaram e somos ainda poupados de chorar a morte de algum pequeno João Hélio, esfolado no asfalto até a morte por jovens desprovidos do sentido do valor da vida. Não, não somos detentores da verdade absoluta. Nós do governo anterior e vocês que agora estão com os destinos do Estado em suas mãos.

Nós cometemos erros, e não foram poucos, principalmente quando pensamos que podíamos governar sem a participação da sociedade organizada. Mas, não se trata aqui de ficar olhando o que deixamos por fazer. Trata-se do que poderemos avançar.

O futuro do Estado não será obra do partido A, B ou C. A solução dos problemas não virá de fórmulas mágicas, mas, ao contrário, do trabalho coletivo, cada qual na sua função, através do debate democrático, no respeito às opiniões e no esforço da busca de soluções que interessem à maioria.

Saibamos preservar o que já conquistamos. Não são conquistas de uma pessoa ou de uma administração, mas do Estado. Corramos atrás do que nos falta para crescer, proporcionar oportunidades e incluir os que estão à margem do processo. Quem haverá de lucrar, será novamente o Estado.

Obrigado.

Pedro Kemp

Líder do PT

admin
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