Vinte anos se passaram desde que oitenta representantes de organizações camponesas se reuniram em um galpão de uma igreja na cidade de Cascavel, no Paraná, para fundar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. Na opinião da deputada Luci Choinacki (PT-SC), uma das fundadoras do MST, é “impossível” medir a importância que o movimento teve para a democracia brasileira de lá para cá, ao colocar na pauta a urgência de resolver a questão do latifúndio e de quinhentos anos de exploração no campo. Ela e o deputado Chico Alencar (PT-RJ) solicitaram sessão solene que será realizada hoje, às 10h, na Câmara, para lembrar a data.
Chico Alencar acredita que a homenagem mostra o reconhecimento que o movimento conquistou nas diferentes camadas da sociedade. “Será uma celebração da ascensão da classe trabalhadora rural a partir da organização pela base daqueles que são oprimidos por cinco séculos de latifúndio”, afirmou.
Estarão na cerimônia o presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Tomás Balduíno, João Pedro Stédile, um dos líderes do MST, e lideranças de vários assentamentos.
Luci ressaltou que o movimento não luta apenas pela solução da questão da terra e pelo fim da escravidão no campo, mas restaura a dignidade do trabalhador rural. Segundo dados do MST, existem hoje mais de 500 associações de produção, comercialização e serviços; 49 Cooperativas de Produção Agropecuária (CPA), com 2.299 famílias associadas; 32 Cooperativas de Prestação de Serviços com 11.174 sócios diretos; duas Cooperativas Regionais de Comercialização e três Cooperativas de Crédito com 6.521 associados.
São 96 pequenas e médias agroindústrias que processam frutas, hortaliças, leite e derivados, grãos, café, carnes e doces, além de diversos artesanatos. Tais empreendimentos econômicos do MST geram emprego, renda e impostos beneficiando indiretamente cerca de 700 pequenos municípios do interior do Brasil. Aliada à produção está a educação: cerca de 160 mil crianças estudam no ensino fundamental nas 1.800 escolas públicas dos acampamentos e assentamentos.
0 comentários