O idealizador do Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Droga e especialista
em dependência química, Antonio Nery Filho, informou ontem que o álcool é a
substância mais consumida pelos jovens, seguida dos inalantes, dos
medicamentos, da maconha e da cocaína. Nery Filho participou do debate “O jovem
e a dependência química” promovido pela comissão especial sobre Políticas
Públicas para a Juventude, presidida pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
O especialista citou pesquisas revelando que 85% dos jovens brasileiros
consomem algum tipo de bebida alcóolica e que 75% das mortes ocorridas em São
Paulo, Rio de Janeiro e Salvador estão relacionadas a esse consumo. Nery Filho
acrescentou que apenas 3% dos jovens consomem maconha e menos de 1% consomem
cocaína.
A pesquisadora da Unesco na área de aids, sexualidade e drogas, Lorena
Bernardete, apresentou o estudo “Drogas na Escola”, em que foram ouvidos 4,6
milhões de alunos do ensino médio e fundamental de escolas públicas e
particulares, 3.100 mil professores e 10 mil pais em 14 estados brasileiros.
Segundo ela, a pesquisa constatou que, em ordem de importância, os jovens
consomem drogas por curiosidade, pressão dos amigos, prazer e para fugir de
problemas sociais e familiares. A pesquisadora revelou também que existem
diferenças regionais no consumo das drogas. No Centro-Oeste, consumo elevado é
de merla, nos estados do Sul e do Sudeste é a cocaína e no Nordeste a droga
mais consumida maconha.
Fátima Sudbrack, professora do departamento de Psicologia da UnB, disse que o
debate sobre dependência química é feito de forma emocional e baseada em
posições pessoais. “Como predomina uma discussão polarizada em quem é contra ou
a favor, do ‘bem ou do mal’, ficamos impossibilitados de aplicar ações
pragmáticas para enfrentar o problema”, acredita.
Para o deputado Odair José (PT-MG), a audiência foi importante para reforçar
que a prevenção e uma abordagem não moralista da questão devem ser o caminho
para afastar os jovens das drogas.
Fonte: Agência Informes
0 comentários