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Coordenadoria de Mulheres homenageia Marta Guarani

jul 29, 2004 | Geral

Campo Grande (MS) – Marta Guarani será homenageada nesta quinta-feira, dia 29 de julho. Entre 9h e 17h a Aldeia Urbana Água Bonita, em Campo Grande, vai abrigar uma série de atividades em lembrança à data de nascimento desta sul-mato-grossense que foi uma das maiores lideranças indígenas do país. O evento será aberto com o descerramento da Placa de Homenagem, com a presença de personalidades, produtores culturais e autoridades. Logo após haverá uma reza indígena em memória à Marta Guarani.

O público terá a oportunidade de visitar a casa da líder indígena falecida em setembro de 2003, além de prestigiar a Feira de Artesanato organizado com produtos confeccionados pela própria comunidade. No período vespertino, a aldeia estará aberta à visitação de escolas e delegações. “Esta homenagem é importante e fundamental para que a luta de minha mãe não caia no esquecimento. Além disso, é uma maneira de ajudar a aldeia e elevar a auto-estima da comunidade”, observa Sandra Guarani, filha de Marta Guarani.

A Aldeia Urbana Água Bonita possui 60 famílias de cinco etnias indígenas distintas: Guarani, Kadiwéu, Terena, Guató e Caiuá. A aldeia foi inaugurada pelo Governo Popular em 2001, concretizando uma antiga reivindicação de Marta Guarani. Outra bandeira da líder que começa a virar realidade é a produção de artesanato pelas mulheres indígenas do local. Desde o final de 2003 a aldeia Água Bonita foi contemplada com cursos de tecelagem e corte e costura organizados pelo projeto Fome Zero e já existem grupos de trabalho no local produzindo vários tipos de peças artesanais.

“Um dos sonhos da Marta era fazer com que as mulheres produzissem artesanato para melhorar a condição de vida de suas famílias e ensinar a cultura para seus filhos e filhas. Isso já está acontecendo na aldeia Água Bonita e nosso objetivo é dar continuidade a esta atividade”, ressalta Sandra Regina Alt, coordenadora especial de políticas públicas para a mulher.

Trajetória – Marta da Silva Vito nasceu em 29 de julho de 1942 na aldeia Jaguapiru, em Dourados (MS). As principais lutas giraram em torno da demarcação de terras indígenas, do reconhecimento da dignidade do povo indígena e do combate à opressão de índios e índias. Mudou-se para Campo Grande em 1975 e conseguiu feitos importantes, como a criação da Delegacia Regional da Funai em Amambaí (MS) e a fundação da Associação Kaguateca, buscando a unificação dos povos indígenas do Mato Grosso do Sul e o agrupamento das nações Kadiwéu, Guarani, Terena e Caiuá. Em 2000, foi homenageada pelo Diretório Nacional do PT pelo reconhecimento a sua luta e em 2002 se candidatou a deputada estadual.

Marta Guarani chegou a viajar duas vezes para o exterior representando os povos indígenas do Brasil e sempre buscou a integração e o fortalecimento político dos índios do MS. Passou grande parte de seus 61 anos visitando as aldeias sul-mato-grossenses. Um dos feitos importantes de Marta Guarani foi a localização dos anciãos dos Guatós em Corumbá, povo considerado extinto na época e que teve finalmente o reconhecimento como nação pela Funai. Em 6 de setembro de 2003, Marta sofreu um enfarto.

“O nome Marta Guarani não pode ser esquecido por simbolizar uma luta que deve representar todos nós na preservação da identidade e desenvolvimento do povo brasileiro. Por isso, a importância deste evento e de homenagens como a que faremos a ela no Festival América do Sul”, lembra o diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Pedro Ortale, referindo-se ao festival que acontecerá em setembro em Corumbá.

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