Considerado a maior concentração política da história da Venezuela, ato pró-Chávez reuniu neste domingo (8) centenas de milhares de venezuelanos nas ruas da capital, Caracas. Oposição organizou espetáculo com cantores populares.
Caracas, Venezuela – Uma “Marcha pela vitória” de – segundo os organizadores – 900 mil pessoas tomou as principais ruas de Caracas neste domingo (8) com uma onda vermelha refletida em camisetas, bonés e cartazes estampados com a palavra “não!”, em referência à resposta ao referendo do próximo dia 15 (cujo texto é “Está de acordo em revogar o mandato do presidente da república Hugo Chávez Frias?”).
Diferente do que geralmente ocorre em atos políticos, a manifestação caraquenha foi acompanhada com simpatia por um grande efetivo da Guarda Nacional, há muito um dos principais apoios do presidente venezuelano. “Basta olhar para perceber. Vamos ganhar” afirmou a aposentada Eladia Monsorro, de 63 anos, uma das beneficiadas pela missão de alfabetização promovida pelo governo. “Essa gente [a oposição] sempre nos humilhou, e agora que temos vez e que todos podem escutar a nossa voz, querem voltar ao poder”, afirma a aposentada, que se diz consciente de que há muito a ser feito para melhorar o país. “A vida não está fácil. É preciso mais empregos e segurança, mas queremos fazer essas mudanças com nosso presidente que governa de perto, não de longe como faziam os outros”.
Chávez, por outro lado, pediu a seus eleitores para que não caiam no “triunfalismo”, já que ainda restam “sete dias de trabalho”. “Nós vamos ganhar, mas ainda não ganhamos. Faltam vários dias. Não podemos cometer nenhum erro. Precisamos ficar alertas dia e noite porque vocês sabem que o diabo [como chama a oposição] tem um dono lá no norte [referência ao presidente George W. Bush]”. O governo teme que a oposição recorra a atos de violência para provocar medo e tentar mudar a preferência do eleitorado.
Oposição organiza espetáculo
Paralelamente ao ato chavista, a oposição organizou um espetáculo com cantores populares. Essa foi a terceira tentativa em três dias da opositora Coordenadora Democrática para tentar aglutinar seus seguidores. Em duas manifestações nos dias 6 e 7, a oposição não reuniu mais que 500 pessoas. Ainda assim, um dos principais líderes da CD, Enrique Mendoza afirmou que a oposição vencerá por “ampla maioria”.
De acordo com as últimas pesquisas de opinião realizadas no país, Chávez ganhará o plebiscito com no mínimo 10% de vantagem sobre os adversários. Na pesquisa da North American Opinión Research no mês de agosto, o presidente vence o plebiscito por 63% de votos contra 32% da oposição e 5% que deixariam de votar.
Ainda que levando em consideração a possibilidade de um certo grau de abstenção, o diretor do Conselho Nacional Eleitoral, Oscar Bataglini, acredita que, devido a polarização política, o plebiscito do próximo domingo será o ato eleitoral de maior participação de toda a história. “Ninguém vai ficar em casa neste dia, todos vão sair à votar”, afirma. Para vencer o plebiscito, a oposição terá que garantir que, no mínimo, 25% dos 14 milhões de eleitores votem, e que, destes, 3,8 milhões, número de votos de Chávez nas eleições presidenciais, optem pela sua saída. Caso a oposição consiga os votos necessários, novas eleições –na qual Chávez poderá se candidatar à reeleição – serão convocadas em 30 dias.
* Com informações do jornal mexicano La Jornada
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