Cineasta mostra vídeo em que Goss diz não ser apto para o cargo
A página na web do cineasta Michael Moore, um ativo militante contra a reeleição do presidente George W. Bush, acaba de incorporar um videoclipe no qual constam declarações do congressista Porter Goss, recentemente proposto pela Casa Branca para dirigir a Agência Central de Inteligência (CIA), nas quais ele admite que seria impossível que lhe dessem trabalho como agente.
As declarações foram feitas no último dia 3 de março, durante a preparação do filme “Farenheit 11/9”, mas foram excluídas dele na montagem.
Goss é presidente da Comissão de Inteligência da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos e começou sua carreira profissional em 1960 trabalhando em inteligência militar, para logo passar à CIA, na qual desenvolveu seu trabalho como agente de operações durante dez anos, até que desembarcou na política local da Flórida e, mais tarde, na política nacional.
O que a página da web resgata agora é a opinião de Goss quando lhe perguntam se conseguiria um emprego como agente da CIA com a mesma facilidade que teve há 40 anos.
O deputado pela Flórida diz que, atualmente, não se sentiria qualificado. “Não tenho habilidades extraordinárias com línguas estrangeiras, me limito às línguas latinas e semelhantes. Hoje há muita demanda para arabistas. Provavelmente não tenho preparo cultural [para me transformar em um]”.
Goss, 65, declarou também que não se considera dono das habilidades informáticas hoje exigidas dos agentes: “Meus filhos me lembram todo dia que preciso melhorar minha capacidade com o computador”.
Embora as declarações sejam casuais e se enquadrem no fragor da campanha, uma porta-voz de Goss sentiu-se na obrigação de lembrar que o homem proposto para dirigir a CIA –uma organização sob o fogo das críticas por sua incapacidade antes dos atentados de 11 de setembro e seus erros sobre os arsenais de armas de Saddam Hussein– se limitava a falar de sua idoneidade para ser hoje um agente de operações.
Na última terça-feira, o presidente Bush disse que Goss é “o homem adequado” para dirigir a agência, “um diretor com ampla experiência em espionagem e na luta contra o terrorismo”.
José Manuel Calvo
Em Washington
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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