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Médicos colaboraram com abusos em Abu Ghraib

ago 26, 2004 | Geral

Os médicos do Exército dos Estados Unidos trabalhando no Iraque colaboraram com o abuso de detentos na prisão de Abu Ghraib, nos arredores de Bagdá, segundo um artigo da publicação médica britânica The Lancet, divulgado nesta sexta-feira.

O professor Steven Miles, autor da matéria, cita evidências de que alguns médicos falsificaram certificados de óbito para encobrir assassinatos e esconder sinais de espancamento.

“O sistema médico ajudou a elaborar e a implementar os interrogatórios psicologicamente e fisicamente coercitivos”, disse o professor da Universidade de Minnesota.

Miles afirma que um preso que caiu depois de ter sido espancado e foi reanimado pelos médicos para que os abusos continuassem.

“Autoridades militares disseram que um médico e um psiquiatra ajudaram a elaborar, aprovar e monitorar os interrogatórios em Abu Ghraib”, escreveu o professor.

O estudo foi baseado em evidências apresentadas durante audiências no Congresso norte-americano, declarações de presos e soldados sob juramento, relatos em publicações médicas e informações de agências de ajuda humanitária.

Apesar de terem conhecimento dos tratamentos degradantes e das torturas, os médicos não denunciaram os abusos antes do início das investigações oficiais, em janeiro de 2004.

As notícias sobre os abusos na prisão apareceram pela primeira vez no fim de abril, quando fotografias de presos iraquianos nus, sendo humilhados e maltratados por soldados dos EUA, provocaram críticas em todo o mundo.

“Os documentos do governo mostram que o sistema médico militar dos EUA falhou na proteção aos direitos humanos dos presos, algumas vezes colaborou com interrogadores ou carcereiros abusivos e fracassou em relatar de maneira apropriada as feridas e mortes causadas por espancamento”, disse ele.

Miles pediu uma reforma do sistema médico militar e uma investigação oficial do papel que os médicos tiveram no caso de tortura em Abu Ghraib.

O governo norte-americano está realizando várias investigações relacionadas ao episódio.

admin
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