Uma reportagem exibida ontem pela TV Globo, no “Fantástico”, afirma que documentos militares foram queimados recentemente na Base Aérea de Salvador. A emissora recebeu de um informante não-identificado 78 documentos que não foram completamente destruídos pelo fogo.
São fichas e relatórios sobre movimentos e militantes de esquerda produzidos pelo serviço secreto da Aeronáutica (conhecido como A2) na Bahia. Alguns têm como fontes o SNI (Serviço Nacional de Informações), o Cenimar (Centro de Informações da Marinha) e Dops (Departamento de Ordem Política e Social) baiano.
Segundo o perito Nelson Massini, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a queima aconteceu entre 15 dias e três meses atrás. A emissora mostrou imagens feitas pelo informante de onde teria ocorrido a queima.
Os papéis encontrados vão de 1966, antes do AI-5 (Ato Institucional nº 5, de 1968), a 1994, quando o país vivia havia nove anos em regime democrático.
Um dos citados no material é Paulo Fonteles, advogado assassinado em 1987. Um documento de agosto de 1981 o aponta como ligado ao PC do B (ainda clandestino) e diz que ele defendeu posseiros no sul do Pará e “enalteceu a Guerrilha do Araguaia”.
Antes de ver a reportagem, o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica enviou e-mail à TV Globo afirmando que seus “documentos oficiais de inteligência” estavam no Aeroporto Santos Dumont, no Rio, e foram queimados no incêndio em 1998.
O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, não quis falar antes de ver a reportagem. A TV Globo lhe enviará os documentos.
Indenizações
Amanhã, a governadora do Rio, Rosinha Matheus (PMDB), entregará as primeiras 40 indenizações a ex-presos políticos.
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