Presidente quer manter ministro e pede mais tempo antes que ele deixe o partido, que decidiu ser oposição
O ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, entregou seu cargo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira. Trata-se de uma atitude formal, para o caso de ficar inviabilizada a permanência de Ciro no PPS, que votou anteontem pela saída da base de apoio ao Palácio do Planalto.
O mais provável é que o caso se arraste um pouco dentro do PPS e possa desembocar na saída em massa de deputados, senadores e governadores do partido.
Lula disse a Ciro que o deseja no ministério e não vai demiti-lo, mas que será necessário esperar para encontrar uma solução definitiva com relação ao PPS. O presidente sugeriu ao ministro que não saia imediatamente do partido, pois imagina que assim estaria apenas beneficiando a ala do deputado federal Roberto Freire (PE), presidente nacional do PPS e articulador da oposição a Lula.
Para ganhar tempo, o líder do PPS na Câmara, Júlio Delgado (MG), já coletou a assinatura de dez diretórios estaduais do partido a favor de uma convenção nacional -instância que teria poder para ratificar ou revogar a decisão do Diretório Nacional. “São necessários 14 diretórios. Vamos ver se na próxima semana conseguimos esses apoios”, diz Delgado, que é pela permanência da sigla na base de apoio ao governo Lula.
Contatado ontem pela Folha, Ciro Gomes não quis dizer qual será seu destino. Apenas manifestou descontentamento em relação à decisão partidária: “Discordo e já comecei a conversar com os companheiros. Quando entrei no PPS o partido tinha três deputados. Hoje, está com 23. Durante a semana vamos decidir qual é a melhor decisão a ser tomada”.
Além dos 23 deputados, o PPS tem dois senadores -Patrícia Saboya (CE) e Mozarildo Cavalcanti (RR)- e dois governadores -Eduardo Braga (AM) e Blairo Maggi (MT).
No momento, a sigla ocupa três cargos de maior relevância no governo federal. Há a pasta de Ciro Gomes, uma posição de direção dentro do Ministério da Saúde e a presidência da Funai.
A opção preferida por Ciro Gomes e por vários integrantes da legenda é uma saída em bloco do PPS em direção a uma outra legenda. Vários partidos estão em estudo, mas não há ainda consenso a respeito por conta de dificuldades de alianças regionais.
Em tese, podem sair do partido 18 deputados, a senadora Patrícia Saboya (ex-mulher de Ciro) e os dois governadores.
O PSB, por exemplo, seria uma das saídas consideradas por Ciro. Ocorre que Eduardo Braga tem o seu maior adversário político nesse partido no Amazonas -o recém-eleito prefeito de Manaus, Serafim Corrêa.
O PDT é outra opção, embora a sigla esteja em discussão com o próprio PPS para uma possível fusão. O problema nesse caso é para o líder do PPS na Câmara, o mineiro Júlio Delgado, que também foi contra a saída do governo. “O PDT é um partido muito pequeno em Minas Gerais”, diz.
Nos debates internos entre Ciro Gomes e os seus aliados, fala-se também no PV. Essa hipótese desagrada a um governador do partido, Blairo Maggi. Como grande plantador de soja em Mato Grosso e defensor do uso de transgênicos, teria dificuldades para se filiar a essa sigla.
O PTB sempre manifestou interesse em ter Ciro Gomes como filiado, mas o ministro tem sido cético em relação a esse partido pela imagem passada atrelada ao fisiologismo congressual.
Se Ciro e seus aliados não tomarem alguma iniciativa, a partir de hoje o presidente do PPS, Roberto Freire, já terá condições de iniciar um processo de expulsão do ministro dos quadros da sigla.
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