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Brasil e Paraguai ampliam acordo para superação da pobreza e segurança alimentar

abr 1, 2004 | Geral

Brasil e Paraguai acertaram nesta segunda-feira (29) ampliar a cooperação para a superação da pobreza e segurança alimentar das populações dos dois países.

O Seminário Internacional para o Desenvolvimento e Fortalecimento da Agricultura Familiar, que começou nesta segunda-feira (29) e se encerra amanhã (30), em Assunção, Paraguai, ganhou mais importância do que o previsto. O encontro, que tem o objetivo consolidar as políticas de agricultura familiar dentro do Mercosul e aprofundar as relações de cooperação entre Brasil e Paraguai, contou com a presença inesperada do presidente paraguaio, Nicanor Duarte Frutos. Ele participou da abertura do evento e destacou a importância de ações efetivas de cooperação entre os países do Mercosul e destacou a necessidade de união para se ter mais forca nas negociações internacionais.

Frutos criticou ainda o fato de o Paraguai gastar US$ 90 milhões da dívida externa para ter credibilidade internacional. Afirmou que o dinheiro poderia estar sendo usado nas áreas sociais. O Brasil foi representado na abertura do evento pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, que reafirmou a necessidade de uma cooperação efetiva e fraterna entre os povos e que todos podem contribuir com suas experiências para a superação da miséria. “Cooperação é a palavra chave e tem que ter um sentido real para que as nações possam desenvolver estratégias, dentro das peculiaridades comuns de desenvolvimento do campo”, afirmou Rossetto.

O ministro falou da importância do campo como espaço de geração de trabalho, renda e alimentos saudáveis para a população e preservação ambiental. Depois da abertura, o ministro falou das políticas brasileiras para o campo e explicou o conceito e a necessidade de unir políticas agrícolas com políticas agrárias para o desenvolvimento do campo. Aliar acesso à terra com políticas de crédito, assistência técnica, infra-estrutura (estradas, habitação, energia), estimular um mercado comprador (compra pública, preço mínimo, acesso a novos mercados, beneficiamento da produção primária, e segurança no caso de perdas dos agricultores (seguro agrícola). Todo um ciclo que garanta condições de produção e vida digna às famílias do campo.

O seminário está sendo promovido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Paraguai, em parceria com a Coordenadora das Organizações de Produtores Familiares do Mercosul (Coprofam) e a União Agrícola Nacional (UAN/Paraguai), com apoio do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, participa da abertura do seminário, que também vai contar com a presença de representantes da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Os representantes brasileiros vão analisar a atual situação da agricultura familiar nos dois países e compartilhar experiências positivas de programas de desenvolvimento rural sustentável. Esses projetos de sucesso vão contribuir para a consolidação da agricultura familiar e indígena do Paraguai, para inserir o país no projeto de integração regional do Mercosul. Os técnicos da SAF também vão mostrar no encontro as potencialidades da agricultura familiar brasileira. Esse segmento agrícola produz hoje 40% da riqueza gerada no campo no Brasil, cerca de R$ 57 bilhões. São cerca de quatro milhões de agricultores (84% dos trabalhadores rurais brasileiros) que vivem em pequenas propriedades e produzem a maior parte da comida que chega à mesa dos brasileiros. Quase 70% do feijão vêm da agricultura familiar, assim como 84% da mandioca, 58% da produção de suínos, 54% do leite bovino, 49% do milho e 40% das aves e ovos.

Segundo os técnicos da SAF, entre as principais áreas que podem gerar linhas de cooperação e alianças entre Brasil e Paraguai estão a industrialização da agricultura familiar; um acordo sobre estágios e cursos de capacitação de técnicos paraguaios em instituições brasileiras; apoio na recuperação do meio-ambiente com melhoramentos dos solos; apoio na área de créditos para microagricultura em assentamentos; e a implementação de um programa conjunto de desenvolvimento rural em distritos onde convergem a agricultura empresarial e a agricultura familiar.

“É importante destacar que os debates não vão ficar restritos apenas à área governamental. Os movimentos sociais também vão ter participação ativa nas discussões”, explica o segundo o assessor internacional do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Laudemir Müller. Participam do encontro representantes da União Agrícola Nacional (UAN/Paraguai), da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG/Brasil) e dirigentes de organizações afiliadas da Coprofam na Argentina, Bolívia e Uruguai.

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