Fique por dentro

Criticado pelos EUA, Filipinas retiram tropas do Iraque

jul 22, 2004 | Geral

O chefe do pequeno contingente militar das Filipinas no Iraque chegou nesta segunda-feira a Manila, antecedendo-se à retirada total das tropas filipinas para tentar salvar a vida de um refém filipino ameaçado de morte por seus seqüestradores.

Apesar das enérgicas críticas dos Estados Unidos e do novo governo iraquiano, os filipinos disseram que a saída de seus 51 soldados do Iraque será concluída nesta segunda-feira.

Os rebeldes iraquianos que mantêm detido o caminhoneiro filipino Angelo de la Cruz, 46, pai de oito filhos, fixaram um ultimato até 31 de julho para que Manila retirasse sua tropa do Iraque. A data prevista para a retirada do contingente estava inicialmente prevista para 20 de agosto, mas os seqüestradores ameaçaram decapitar o filipino caso esta medida não fosse adiantada.

O general Jovito Palparan chegou na manhã desta segunda-feira à capital filipina num vôo regular.

“Os homens que deixei estão bem e se preparam para voltar para casa”, disse.

Visita

Dez dos 51 soldados filipinos já estão no Kuait e os outros devem abandonar o Iraque depois de uma visita de cortesia ao comando polonês de seu setor, em Hillah, no centro do país.

O general Palparan se reuniu em Manila com a secretária de Relações Exteriores, Delia Albert, e o chefe do Estado-Maior conjunto, o general Narciso Abaya.

Albert publicou uma declaração muito curta dizendo que a operação de retirada completa está próxima de sua conclusão.

O governo filipino iniciou na sexta-feira a retirada de seus 51 soldados e policiais, após o seqüestro na semana passada do motorista de caminhão.

Os governos dos Estados Unidos e do Iraque criticaram a decisão das Filipinas, por considerarem que abre um precedente para os seqüestradores ao ceder à chantagem.

“Respeitamos a decisão do governo filipino, mas ela ocorreu em resposta às exigências de grupos terroristas”, declarou no domingo o ministro das Relações Exteriores iraquiano, Hoshyar Zebari.

“Lamentamos muito a decisão do governo filipino pela mesma razão”, afirmou o vice-secretário de Estado americano, Richard Armitage, que fez uma visita ao Iraque.

Apesar da decisão filipina, Armitage declarou não estremecerá as relações entre Manila e Washington.

Risco

A presidente filipina, Gloria Ribeiro, que acaba de ser reeleita por uma pequena margem de votos, é uma fiel aliada do presidente dos EUA, George W. Bush. Mas analistas estimaram que caso não tomasse esta decisão e o refém fosse executado, corria o risco de ser alvo de manifestações em massa capazes de derrubar seu governo.

Num comunicado citado na semana passada pela emissora de TV Al Jazira, os seqüestradores advertiram que De la Cruz seria libertado “após a retirada do último soldado filipino do Iraque num prazo que não exceda ao mês em curso”.

Os rebeldes, que dizem pertencer a um grupo batizado Exército Islâmico no Iraque, não levantaram seu ultimato de morte.

De la Cruz trabalhava na Arábia Saudita, mas, atraído por um salário três vezes superior, aceitou dirigir no Iraque caminhões-tanque com petróleo.

admin
admin

0 comentários