O número de mortes na Somália provocadas pela desnutrição é semelhante àquele verificado na conflituosa região de Darfur (Sudão), denunciou na segunda-feira Jan Egeland, da Organização das Nações Unidas (ONU).
“O mundo correu para ajudar Darfur, mas ninguém está se mobilizando para ajudar a Somália”, afirmou Egeland, subsecretário-geral para assuntos humanitários.
Segundo ele, a taxa de mortalidade relacionada com a falta de alimentos na Somália é de duas mortes a cada 10 mil pessoas por dia, algo semelhante à região de Darfur.
O subsecretário acrescentou: “A taxa de mortalidade entre crianças em alguns pontos da Somália é de cinco mortes a cada 10 mil pessoas (por dia). Isso é totalmente revoltante. É uma afronta moral que se aceitem tais níveis de desnutrição e de morte na Somália.”
“A comunidade internacional deveria deixar de lado os erros desastrosos cometidos na Somália no começo dos anos 1990 e deveria ajudar o país a se reconstruir.”
O país africano mergulhou na anarquia depois de grupos armados terem tirado do poder, em 1991, o então dirigente militar Mohammed Siad Barre.
Um novo governo foi formado em negociações realizadas no Quênia, mas a administração do presidente Abdullah Yusuf ainda tem de retornar ao território somali. A comunidade internacional agora discute quanto de ajuda deveria fornecer ao país africano.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 70 mil pessoas morreram desde março em Darfur (oeste do Sudão) devido à falta de alimentos e a doenças, em meio à ação de milícias árabes.
“Há taxas de mortalidade em muitas áreas da Somália que são semelhantes àquelas verificadas em Darfur e, mesmo assim, o mundo não acordou para o fato de que nos deparamos com uma tragédia”, disse Egeland.
0 comentários