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Estudo indica aumento de meninas nas ruas de áreas metropolitanas

mar 11, 2004 | Geral

 

Na década de 90, a média de garotas nas ruas era de 15%. Estudo em Guarulhos mostra índice agora de 25%. SP e Diadema vivem mesmo problema

Um levantamento inédito feito em Guarulhos, na Grande São Paulo, pelo Projeto Meninos e Meninas de Rua (PMMR), organização não-governamental que há 20 anos trabalha com o tema, demonstrou que vem aumentando nos últimos anos o número de crianças e adolescentes do sexo feminino que tem buscado nas ruas alternativas de sobrevivência para as suas famílias.

Na década de 90, a média de meninas que tinham as ruas como opção de moradia ou de trabalho na cidade não ultrapassava 15%, de acordo com Ademar de Oliveira, coordenador da entidade.

O novo estudo, com dados de 2003, chegou ao índice de 25%, o mesmo detectado pelos educadores do projeto em pesquisas feitas em São Bernardo do Campo e em Diadema, ambos municípios do ABC paulista, no ano passado.

Esse crescimento de meninas nas ruas também vem sendo observado na cidade de São Paulo nos últimos anos, de acordo com a assistente social Rose Ferreira, chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Assistência Social. “É uma tendência metropolitana”, diz ela.

Apesar desse aumento, o número de crianças e adolescentes do sexo masculino que moram e trabalham nas ruas ainda é maior nesses três municípios e na Capital. O relatório “Conhecendo crianças e adolescentes em situação de rua no município de Guarulhos” será apresentado hoje à tarde ao representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Mário Volpi, ao prefeito do município, Elói Pietá (PT), e ao pesquisador Benedito Rodrigues dos Santos, da Universidade Católica de Goiás (UCG), um dos maiores especialistas do país no estudo do tema.

Rendimentos

Outro dado do levantamento que chama a atenção é que a renda obtida pelos 434 meninos e meninas identificados em Guarulhos representa 62% da renda de suas famílias. O dinheiro é obtido, por exemplo, por meio da venda de balas em faróis e pedidos de esmola. A renda diária extraída por eles com essas atividades é de, em média, R$ 11,40, o que equivale, segundo o estudo, a um rendimento mensal de R$ 198,40 — o que corresponde a quase um salário mínimo, fixado hoje em R$ 240. Em Guarulhos, 75% dos adolescentes e crianças — 326 meninos e meninas — afirmaram que saem de suas casas e vão para as ruas para poder trabalhar. Outros 95 (22%) declararam que pedem esmolas. Apenas 3% disseram realizar atividades diversas, sem explicitar quais.

O índice de pais ou responsáveis por essas crianças e adolescentes que estão desempregados é alto: 52%.A pesquisa mostrou ainda que a profissão exercida anteriormente pelos pais dessas crianças estava, na grande maioria das vezes, relacionada a atividades de baixo nível de qualificação. Mas há também atividades como advogado, administrador de empresas e professor. A renda média declarada por pessoa, nessas famílias, é de R$ 46 mensais.

“Ao contrário de antigamente, quando o fator determinante era a violência doméstica, a questão financeira hoje é a que mais leva crianças para as ruas. Hoje são os meninos e meninas que levam recursos para casa”, disse Marco Antônio da Silva Souza, um dos coordenadores do PMMR.
(Luísa Alcalde)
Publicado em 05.03.2004

admin
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