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Genro diz que cotas para negros não resolvem exclusão social

jan 29, 2004 | Geral


O novo ministro da Educação, Tarso Genro, disse nesta terça-feira em entrevista ao Bom Dia Brasil, da Rede Globo, que é favorável às cotas para negros em universidades públicas, mas que não tem a “ilusão” de que tal regra, sozinha, pode combater a exclusão social no meio acadêmico.

Segundo Genro, é contraditório o acesso de poucos brasileiros ao que chamou de “resultados da terceira revolução científica e tecnológica”, pois há “um mar de excluídos” no país, ainda resultado do processo de escravidão. “Temos que ter políticas sólidas de médio e longo curso. Temos que ter políticas educacionais concretas, que vão desde a qualificação do ensino fundamental à luta contra o analfabetismo no país. (…) Temos que elevar o nível da população para ela chegar numa universidade moderna e qualificada”, afirmou.

Genro, ao falar sobre a mudanças que pretende realizar nas instituições acadêmicas, classificou tal reforma como “uma espécie de processo constituinte”. Segundo o ministro, será estabelecido um grupo executivo, dirigido por ele próprio, para estudar como realizar as inovações.

“Vamos fazer uma espécie de processo constituinte. A reforma não pode ser uma proposta fechada da universidade, nem uma proposta arbitrária da máquina estatal, nem uma reforma que venha só da universidade. Esse processo vai envolver esse tripé”, explicou Genro. E continuou: “vamos ter prazo, metodologia e processo para ir, ao longo do ano, desovando diretrizes para transformar esse projeto de lei em direção à reforma da Universidade”.

Provão e projetos – A respeito do Provão, como é chamado o exame dos formandos instituído no governo de Fernando Henrique Cardoso, Tarso Genro disse que a medida provisória editada pelo governo do PT em dezembro precisa de ajustes. “A proposta apresentada pelo Cristóvam (Buarque, ex-ministro da Educação) é boa, não cobra só do aluno. Mas provavelmente a MP precisa de ajustes, para que os critérios de avaliação definidos se tornem mais objetivos e evitem que o governo seja arbitrário em algum caso”, disse Genro.

Porém, incluindo também o Provão, Genro afirmou que seu objetivo agora é focar as reformas e projetos que precisam ser implementados primeiro. “Trabalho com um patrimônio rico deixado pelo Cristóvam. Eles fez o que foi possível no primeiro ano. Agora vou analisar os propostos (projeto) por ele, que sei são todos brilhantes, e ver se são viáveis, escolher por onde seguir”, declarou.

“Mas não vou propor projetos sem saber se é possível financeiramente. Antes de se tornar viável tem que passar pelo crivo da possibilidade financeira, se não resolvo um problema meu e o transfiro para o governo (União)”, destacou.

Por fim, o ministro falou sobre as dezenas de universidades e faculdades que abrem um curso superior sem autorização e de baixa qualidade. “Falando da minha área, já que sou advogado. Tem muitos (cursos de Direito) que não deveriam nem existir. Eles degradam a relação com o aluno e a formação profissional”, afirmou, prometendo um controle mais rigoroso e eficaz.

Publicado em 27.01.2004 

admin
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