O ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) disse ontem que o Brasil, “um dos quatro ou cinco [países] mais ricos do mundo”, tem condições para sua população crescer em até 350 milhões de pessoas.
“Nosso país é um dos quatro ou cinco mais ricos do mundo [sic], temos condições de acolher mais gente, de 300 a 350 milhões de pessoas. Como disse o papa Paulo 6º, a questão não é diminuir o número dos participantes no banquete, e sim aumentar a oferta de alimentos”, afirmou ele, que aglutinará o Ministério da Assistência e Promoção Social e o de Segurança Alimentar e Combate à Fome.
Patrus também disse ser contra que o planejamento familiar seja uma exigência para o recebimento do Bolsa-Família, apesar de defender o acesso a informações sobre métodos contraceptivos. Essa idéia havia sido defendida no começo do ano pela então ministra Emília Fernandes (Políticas para as Mulheres). Houve debate no governo e ficou decidido que os agentes iriam divulgar dados sobre planejamento, mas não haveria a contrapartida obrigatória.
Deputado pelo PT-MG, Patrus, 51, é considerado próximo de setores de ação social da Igreja Católica, que condena métodos contraceptivos, como a camisinha. A transmissão de cargo será hoje.
Folha – O senhor promoverá mudanças na equipe do ministério?
Patrus Ananias – Não quero fazer razia, nada de política da terra arrasada, tanto que vou tirar a semana para conhecer as pessoas. Estudei os projetos e recebi orientação do presidente para partir do que existe. Fizemos muito na área social em 2003, mas o primeiro ano é sempre difícil. O alicerce foi colocado, só que não aparece.
Folha – Mas as mudanças serão feitas ainda esta semana?
Patrus – Sim, o presidente pediu serenidade e não parar o trabalho.
Folha – O presidente Lula fez mais alguma orientação?
Patrus – Levar os programas de abastecimento e segurança alimentar este ano para os centros urbanos. Para isso, precisamos de parcerias com prefeitos, governadores, igrejas e iniciativa privada.
Folha – Isso não pode ser usado pelo PT nas eleições municipais?
Patrus – Não, porque não será só nas cidades que o PT administra.
Folha – Mas é uma boa plataforma política para as eleições.
Patrus – Todo governo competente que faça obras, sobretudo no campo social, é reconhecido.
Folha – O sr. concorda que o planejamento familiar seja exigência para receber o Bolsa-Família?
Patrus – Sou contra. Temos um Estado laico, democrático. Portanto, as famílias devem ter acesso às informações e aos métodos contraceptivos legais. Não concordo com método imposto, como esterilização sem a aquiescência da mulher, mas o problema central não é esse, e sim desenvolvimento e distribuição de renda.
Folha – Então, o sr. acha que a premissa está errada.
Patrus – Sim, está errada. Nosso país é um dos quatro ou cinco mais ricos do mundo, temos condições de acolher mais gente, de 300 a 350 milhões de pessoas. Como disse o papa Paulo 6º, a questão não é diminuir o número dos participantes no banquete, e sim aumentar a oferta de alimentos.
(Fernanda Krakovics)
Publicado em 27.01.2004
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