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Greenhalgh propõe cidadania brasileira para Casaldáliga

nov 6, 2003 | Geral

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), sugeriu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conceda a naturalização brasileira ao bispo espanhol dom Pedro Casaldáliga, que desde 1970 atua na prelazia de São Félix do Araguaia e está se aposentando, aos 75 anos de idade. “Essa seria a maior homenagem que poderíamos prestar a esse cavaleiro errante da liberdade e da esperança, a esse homem que a ditadura por três vezes tentou expulsar”, afirmou o deputado.

A solicitação foi feita ao chefe de gabinete do presidente da República, Gilberto Carvalho, que participou de sessão solene em homenagem ao bispo realizada pela Câmara na manhã de ontem. Greenhalgh, que chegou a ser acionado para defender dom Pedro das ameaças de expulsão do Brasil, que acabaram não se concretizando, relembrou a luta do bispo em defesa do pobre, do índio, do excluído. “Sua condição moral foi tamanha que a ditadura foi obrigada a recuar. Uma vez perguntei a ele: Pedro, o que vai acontecer se você for expulso? Ele me disse: Deus é grande, mas a mata é maior. Ou seja, ele quis dizer que não iria sair do território brasileiro, mesmo que a ditadura militar conseguisse expulsá-lo”, afirmou.

A autora da proposta de homenagem, deputada Iriny Lopes (PT-ES), salientou a identificação de Casaldáliga com a terra e a luta contra a sua concentração na mão de poucos. “Homenageá-lo, ainda em vida, significa reconhecer a importância da organização da resistência indígena e popular no Brasil. É uma forma de denunciar as desigualdades existentes em nosso país e propagar os ideais igualitários em favor da paz mundial. Dom Pedro é um dos maiores expoentes nessa luta e deve servir de exemplo aos que lutam por uma nova sociedade”, afirmou.

Iriny Lopes ressaltou que a proposta de atuação religiosa do bispo, que alguns setores classificam até hoje como político-partidária, vinha do pressuposto de que lutar pelo acesso à terra e por condições dignas de vida para todos era também parte da tarefa dos evangelizadores. “Devemos ser radicais. Isso não significa não ser realista. Devemos ser radicais porque justamente somos realistas, dizia dom Pedro”. Na opinião da parlamentar, que atua na área de direitos humanos, todos os militantes das causas populares e democráticas em algum momento da vida utilizaram a obra de Casaldáliga como referência.

Para o deputado João Alfredo (PT-CE), a vida do bispo, que foi um dos fundadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Igreja Católica, se confunde com a luta pela reforma agrária e pela demarcação das terras indígenas. “Esses são dois grandes desafios do nosso governo, para concretizar o objeto da luta deste grande espanhol-brasileiro: a terra de todos, trabalhada por todos”, declarou.

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