O diretor-geral do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Angelo Gnaedinger, declarou hoje que crianças estão presas na base americana de Guantánamo, em Cuba.
De acordo com a imprensa dinamarquesa, informada por organizações de direitos humanos como Human Rights Watch (HRW), cinco ou seis crianças estão em Guantánamo. A mais jovem teria 12 anos.
“Esperamos que esta questão seja resolvida rapidamente”, declarou Gnaedinger.
Durante uma visita a Copenhague (capital dinamarquesa), o diretor-geral do CICV informou que sua organização “mantém negociações confidenciais” com o governo americano para resolver este problema.
Gnaedinger negou-se a dar detalhes sobre o número de crianças presas, suas idades e suas nacionalidades, pois “o problema dos menores detidos está sendo discutido confidencialmente com Washington”.
Guantánamo
Gnaedinger também pediu que seja “esclarecida o quanto antes” a situação dos cerca de 600 detentos de Guantánamo, presos há dois anos sem julgamento.
“Não podemos ficar neste vazio legal. Esta indefinição é inaceitável”, afirmou, após sua reunião no Parlamento dinamarquês.
A maioria dos prisioneiros de Guantánamo foi capturada durante a campanha militar americana no Afeganistão, que se seguiu aos atentados do 11 de setembro de 2001.
Convidado pela Cruz Vermelha dinamarquesa, Gnaedinger se reuniu com o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Per Stig Moeller, para estudar o caso dos prisioneiros de Guantánamo, entre os quais se encontra um dinamarquês.
Convenção de Genebra
O diretor-geral do CICV também recusou comentar publicamente as condições de vida em Guantánamo.
“Os Estados Unidos são diretamente responsáveis pela integridade e pelo bem-estar destes presos. No entanto, segundo o artigo 1 da Convenção de Genebra, o respeito da dita convenção cabe também aos 191 países signatários”, afirmou Gnaedinger.
O diretor-geral do CICV afirmou, ante os deputados dinamarqueses, que a Convenção de Genebra protege também os detentos de Guantánamo.
No entanto, o governo americano considera que estes presos, procedentes de 42 diferentes países, não têm o estatuto de prisioneiros de guerra estipulado na Convenção de Genebra, e, em consequência, podem ficar detidos por um tempo indeterminado sem julgamento.
0 comentários