Os órgãos ambientais de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo vão investigar o agente poluidor que está causando a mortandade de peixes no rio Paraná. Foi detectada a presença de cobre, um metal pesado, que atingiu principalmente a espécie Armal, também conhecida como peixe “Abotoado”. No Estado, a operação envolvendo a Sema (Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos), PMA (Polícia Militar Ambiental) e promotorias de meio Ambiente de Três Lagoas e Naviraí se prolongará por toda a semana.
A mortandade de peixes no leito do Rio Paraná já havia ganhado notoriedade política quando há 15 dias o líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Pedro Kemp (PT), denunciou o caso. À época, Kemp fez um pronunciamento cobrando ações dos órgãos competentes. Dentre elas o início de uma investigação detalhada a fim de descobrir o agente causador da morte dos peixes na região.
Conforme o superintendente de Pesca, Thomaz Lipparelli, hoje pela manhã será visitada a usina de Jupiá (em Três Lagoas) e à tarde a usina Sérgio Motta, em Porto Primavera. O objetivo é verificar o procedimento utilizado para controles de macrófagos e da qualidade da água. Lipparelli explica que o problema foi identificado entre Porto Caiuá, próximo de Naviraí, e Porto Primavera.
Cinco equipes com técnicos da Sema e fiscais da PMA vão percorrer o rio até Mundo Novo, também serão verificadas as indústrias e curtumes. “O problema pode ser a montante ou a jusante. O peixe pode estar sofrendo as ações do cobre ao longo do percurso pelo rio”, explica. “Considero um dos mais preocupantes acidentes ambientais da Bacia do Paraná.A proporção é muito séria, porque o cobre é cancerígeno. Temos que identificar a fonte desse cobre e responsabilizar os culpados”, enfatiza.
A orientação é para que as pessoas não consumam a espécie. De acordo com Lipparelli, o promotor de Meio Ambiente de Naviraí já solicitou uma campanha para informar os moradores ribeirinhos sobre os riscos do consumo. A dimensão do desastre ambiental só será mensurada após a conclusão da coleta do material, que vai ser encaminhado à Universidade Estadual de Maringá. “O consumo do abotoado é mais comum no Paraná, que no ano passado retirou 370 mil quilos da espécie”, afirma. Foram encontrados peixes mortos ou moribundos em Foz do Iguaçu e em uma usina no Paraguai.
Piracema – Conforme o superintendente de Pesca, durante o período de defeso, quando os peixes sobem o rio para desovar, a preocupação é com a redução do potencial reprodutor, o que pode comprometer a reposição dos estoques. Entretanto, o impacto da contaminação na quantidade de peixes só deve ser conhecido dentro de três anos.
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