O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) anunciou hoje já ter 9.000 trabalhadores rurais acampados no sul da Bahia à espera de uma decisão da coordenação estadual do movimento para invadir propriedades localizadas em Itamaraju, Ilhéus, Porto Seguro e Itabuna.
“Já montamos 19 acampamentos na região”, disse Walmir Assunção, o principal líder do MST baiano. De acordo com Assunção, as primeiras invasões deverão ocorrer até o final da próxima semana. “Já listamos as fazendas que serão invadidas, todas são improdutivas”, disse.
O plano da invasão faz parte da “jornada de luta”, uma série de manifestações e invasões de fazendas no país até 17 de abril, quando o MST lembrará os 19 sem-terra mortos em confronto com a PM em Eldorado do Carajás (PA), em 1996.
Desde sábado, quando a ação começou, a maioria das invasões (14) ocorreu em Pernambuco.
Walmir Assunção disse também que o Incra deverá vistoriar 30 propriedades localizadas no extremo sul da Bahia. “A demora por parte do Incra é muito grande. Todas as áreas relacionadas para a vistoria são improdutivas. Muitas fazendas, inclusive, já foram abandonadas pelos proprietários.”
Os acampamentos dos sem-terra foram montados às margens de rodovias estaduais e federais. “Temos de lutar pelos nossos direitos. O governo do presidente Lula prometeu realizar uma ampla reforma agrária. No entanto, até agora, tudo não passou de uma simples promessa”, disse Weldes Queiróz, outro líder do MST baiano. No total, o MST da Bahia afirma já ter cadastrado 12 mil famílias (cerca de 48 mil pessoas) que se declararam interessadas em invadir propriedades rurais.
São Paulo
No Pontal do Paranapanema (extremo oeste de São Paulo), região de maior conflito agrário no Estado, o MST anunciou que fará hoje de manhã duas marchas, uma que sairá de Teodoro Sampaio e outra de Presidente Epitácio. As marchas, com cerca de 1.200 sem-terra, se encontrarão em Presidente Prudente.
De acordo com o coordenador regional do MST no Pontal, Paulo Albuquerque, as marchas são para protestar contra a demora do governo federal em realizar a reforma agrária e para “expressar a contrariedade” dos sem-terra da região com a lei estadual nº 11.600, promulgada em dezembro passado, que prevê a regularização de áreas de até 500 hectares consideradas devolutas (suspeitas de terem sido griladas) na região.
Segundo dados da Secretaria da Justiça do Estado, 10% das propriedades e 90% dos fazendeiros da região podem ser beneficiados.
A lei permite a regularização de áreas mediante o pagamento de 10% do valor médio do hectare de terra nua (sem benfeitorias) na região do Pontal, que é de R$ 2.370, segundo dados do IEA (Instituto de Economia Agrícola).
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