A iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de procurar apoio entre os representantes mais influentes do FMI (Fundo Monetário Nacional) para alterar as regras dos acordos firmados entre o fundo e os países da América Latina recebeu apoio de deputados da bancada petista. A avaliação é que o país precisa encontrar alternativas para a retomada efetiva do crescimento econômico e que esse movimento passa pelo aumento dos investimentos em infra-estrutura.
Na última segunda-feira, o presidente telefonou ao presidente norte-americano George W.Bush para pedir apoio à proposta de que os acordos com o FMI excluam os investimentos de empresas estatais da conta utilizada para calcular o superávit primário (parcela das contas públicas usada para pagar dívida e juros). Com isso, os investimentos públicos em infra-estrutura deixariam de ser contabilizados como gastos e o governo teria maior disponibilidade de recursos para o setor. Além dos EUA, o governo busca apoio também da França, Alemanha, Reino Unido e Espanha.
Segundo o líder do PT na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (SP), a iniciativa demonstra que o presidente tem combinado a responsabilidade na condução econômica do país com a indignação frente aos problemas sociais. “Se não houver investimentos é impossível obter crescimento e dignidade social. A iniciativa pode servir de paradigma para outros países”, avaliou.
Para o deputado Jorge Bittar (PT-RJ), a proposta do governo brasileiro enfrenta uma questão fundamental. “Enquanto o FMI continuar considerando o investimento em infra-estrutura como parte integrante das despesas primárias, não há como investir profundamente no setor”, considerou.
Os deputados Paulo Bernardo (PT-PR) e Maninha (PT-DF) avaliam que é essencial manter a credibilidade do país e incentivar o emprego. “Está-se percebendo claramente que, se permanecerem as regras atuais, não há possibilidade de geração de emprego”, afirmou a deputada Maninha. “A iniciativa trabalha o argumento de que precisamos e vamos crescer”, disse Paulo Bernardo.
Publicado em 04.03.2004
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