A vitória de Luizianne Lins (PT) à Prefeitura de Fortaleza não foi suficiente para diminuir as disputas internas pelo poder do diretório municipal do partido.
O grupo de petistas que lidera o comando do diretório, da ala mais à esquerda, a Democracia Socialista, vai requerer ao diretório nacional a revisão de cerca de 1.500 novas filiações conseguidas pelos mais moderados, alinhados com figuras da cúpula nacional do PT, entre eles o ministro José Dirceu (Casa Civil) e o presidente nacional, José Genoino.
As novas fichas de filiação nem sequer passaram pelos diretórios municipal e estadual do partido: foram entregues diretamente ao diretório nacional.
Como pano de fundo dessa disputa estão as próximas eleições, quando o chamado Campo Majoritário, que congrega tendências moderadas, como a Articulação Sindical e a Democracia Radical, quer a certeza da maioria para ter maior poder de influência no processo eleitoral.
No final do ano passado, houve uma situação semelhante. A Democracia Socialista identificou cerca de 1.600 novas filiações conseguidas pelos grupos mais moderados que considerou suspeitas. Após uma revisão determinada pelo diretório nacional, foram anuladas 860 fichas, algumas de pessoas que nem mesmo sabiam que eram filiadas ao PT.
Com a maioria, a esquerda petista conseguiu indicar Luizianne, que também faz parte da Democracia Socialista, como candidata à Prefeitura de Fortaleza, contra a orientação da cúpula nacional do partido, que defendia uma coligação para apoiar a candidatura de Inácio Arruda (PC do B). Durante todo o primeiro turno, Luizianne sofreu a oposição de boa parte de seu próprio partido.
Radical pragmática
Ao projetar o início da administração, Luizianne começa a deixar de lado o discurso radical de esquerda e a procurar congressistas, inclusive do PSDB, para angariar recursos para a prefeitura.
Hoje, a prefeita eleita participou de um café da manhã com nove dos 22 deputados federais do Ceará, entre eles cinco do PSDB e um do PMDB.
Para o encontro, ela chegou a convidar até o senador Tasso Jereissati (PSDB), que avisou que não poderia ir.
A reunião foi para pedir dinheiro de emendas do orçamento para garantir medidas emergenciais de prevenção às chuvas previstas para o primeiro semestre de 2005, que costumam deixar milhares de desabrigados na cidade.
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