A XVII Reunião do Comitê de Negociações Comerciais da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), que terminou na última sexta-feira, teve as discussões restritas aos protocolos de negociação. Ou seja: os técnicos dos países debateram como negociar, em vez de o que negociar.
O encontro começou dia 2 de fevereiro na cidade mexicana de Puebla. Segundo a deputada Maninha (PT-DF), que participou do encontro, das negociações emergem tendências como a redução do alcance do acordo continental de livre comércio.
O caráter histórico da reunião de Puebla foi a abertura total, pela primeira vez, das negociações entre delegados governamentais para os parlamentares de seus países. Apesar de haver nações onde a cobrança e o monitoramento das tratativas pelo Poder Legislativo são mais intensos – como ocorre no Brasil, Argentina e Venezuela -, a maioria fica alijada do processo e às vezes sequer sabe o que está sendo negociado.
“Pode ser perigoso para os interesses populares concentrar as negociações nas mãos dos poderes executivos. O aumento da transparência ocorrido em Puebla facilita a democratização do tema e a participação popular na conformação da Alca”, argumentou Maninha, chefe da delegação parlamentar que acompanha os negociadores do governo brasileiro.
“Na reunião que tivemos com o co-presidente brasileiro para a Alca, Ademar Bahadian, chegamos a conclusões como a de que, mesmo que entre em vigor em 2005, o acordo respeitará os pontos sensíveis dos países. Ou seja, será uma Alca muito menos abrangente e ambiciosa do que a originalmente proposta, o que nos dá tempo para melhorá-la”, observou Maninha, para quem os negociadores brasileiros “estão otimistas”.
Outro fato importante para o país, percebido pela delegação, é a ratificação do Brasil como líder do Mercosul e nações com mesmo ponto de vista sobre a Alca. “O Brasil é a referência. Mas, nos debates, os EUA continuam com a estratégia de cooptar países para enfraquecer o posicionamento do Mercosul”, constata Maninha.
0 comentários