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Reforma: Genoino defende campanha menor

abr 14, 2005 | Geral

O presidente do PT, José Genoino, defendeu nesta quinta-feira uma reforma nas regras eleitorais que reduza o prazo de campanha e proíba a realização de grandes eventos, como showmícios. “O prazo de campanha é longo demais. Não há necessidade de três meses para isso. Poderia haver uma redução tranqüilamente”, disse Genoino, em entrevista à Folha.

Ressalvando que falava em caráter pessoal, e não em nome do partido, o petista não deixou claro se defenderia essa proposta já para a eleição de 2006. A lei eleitoral teria de ser modificada até outubro deste ano para valer na próxima disputa presidencial.

Na eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, um dos principais componentes da campanha foi uma série de showmícios com a dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano.

Hoje, a campanha dura, oficialmente, três meses –vai do início de julho ao início de outubro. Já a campanha em rádio e em TV costuma durar 45 dias. “Hoje, parece que uma campanha se emenda na outra. A população não gosta disso”, disse Genoino.

O presidente do partido disse que não há, no momento, discussão interna no PT sobre o assunto. Apenas defende que seja desengavetado o projeto de lei que trata do tema. O projeto, de número 5.308/01, tem origem no Senado, de autoria de Jorge Bornhausen (PFL-SC). Foi aprovado pelos senadores e encaminhado à Câmara, onde está parado. Pelo projeto, a campanha eleitoral terá início não mais em 5 de julho do ano da eleição, mas em 16 de agosto. Na prática, o tempo cai pela metade.

No parecer favorável, o ex-deputado federal Gilberto Kassab (PFL), vice-prefeito de São Paulo, diz que a redução é “medida oportuna”. “A redução promoverá o barateamento da campanha eleitoral, uma vez que hoje uma de suas principais fontes de custo é precisamente o chamado marketing político”, afirma o parecer.

Na oposição, o PT era um crítico da redução no prazo de campanha política. Os petistas reclamaram quando a lei eleitoral, de 1997, determinou que o espaço entre o primeiro e o segundo turno seria de menos de um mês.

Na disputa presidencial de 1998, os petistas reclamaram do candidato à reeleição, Fernando Henrique Cardoso, que teria sido beneficiado, por estar no cargo, com uma cobertura mais extensa dos meios de comunicação.

“A campanha é a oportunidade para a oposição expor suas idéias e apresentar um projeto alternativo”, disse o líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ). O PFL, segundo Maia, poderia apoiar a mudança para a eleição de 2010, mas não para o próximo ano. “O jogo para 2006 já começou, não dá mais para mudar a regra.”

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