Todos os 30 mortos na chacina de quinta passada na Baixada Fluminense levaram ao menos dois tiros, na parte superior do peito, no pescoço ou na cabeça, disparados a uma distância de 1 metro a 2 metros. Todos os tiros partiram de pistolas de calibres .40 e 380 –as mais utilizadas pelos policiais militares do Estado do Rio.
As informações constam dos laudos cadavéricos concluídos ontem pelo IML (Instituto Médico Legal), vinculado à Secretaria Estadual de Segurança Pública. As 30 mortes obedeceram a um mesmo padrão, segundo peritos. Esse padrão de atuação reforça a tese da cúpula do governo de que o massacre foi executado por profissionais. Policiais militares são os principais suspeitos.
“Os tiros foram direcionados aos órgãos mais vitais. Quem atacou tinha a intenção de matar”, disse ontem o diretor do Departamento de Polícia Técnica e Científica da Polícia Civil, Roger Ancillotti. Os laudos estão no IML à disposição dos delegados encarregados de descobrir os autores do massacre. Ancillotti afirmou que já foram passadas aos delegados, de maneira prévia, as principais conclusões dos laudos.
Segundo o diretor, até amanhã devem estar concluídas as perícias nas balas tiradas dos cadáveres. As análises são feitas pelo ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli), da Polícia Civil.
O objetivo do exame balístico é descobrir se os projéteis partiram das sete pistolas apreendidas com os policiais suspeitos.
Também foi recolhida com os policiais uma escopeta. A perícia, porém, não achou balas de uma arma desse tipo nos cadáveres nem nos 11 locais de crimes em Nova Iguaçu e em Queimados.
A comparação das balas com as armas, além de apontar os possíveis assassinos (se ficar comprovado o uso das pistolas), indicará se eles se dividiram em grupos.
A suspeita de que os autores da matança formaram três ou quatro grupos é do chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, que determinou a Ancillotti que os peritos sejam o mais precisos possível no relatório em que abordarão os resultados dos confrontos balísticos.
“Quem fez isso [a chacina] trabalhou em equipes. A perícia vai mostrar se essas equipes migraram de uma área para a outra”, disse o diretor da Polícia Técnica.
São exemplos da similaridade de todos os assassinatos, segundo o diretor da polícia técnica, a quantidade de tiros disparados contra cada vítima, os pontos vitais priorizados, o emprego de armas dos mesmos calibres e a distância média mantida pelos assassinos em relação às vítimas.
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