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Salles quer aproximar público da história de Che

abr 29, 2004 | Geral

Em “Diários da Motocicleta”, diretor brasileiro evita mitos sobre Che Guevara para revelar o jovem que precedeu o guerrilheiro

Camila Agustini

Em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (26/04), após a exibição para a imprensa de “Diários da Motocicleta”, seu mais novo filme, o diretor brasileiro Walter Salles afirmou que o filme pretende contar a “pequena história antes da História (com “H” maiúsculo)”. A película narra a viagem de 8 meses empreendida por Ernesto Guevara e seu amigo Alberto Granado pela América Latina. Montados em uma moto, os dois cruzaram Argentina, Chile e Peru até alcançar a Venezuela, em meados dos anos 50.

A viagem marcaria para sempre Guevara que mais tarde se tornaria um dos mais importantes militantes da Revolução Cubana.

Salles afirmou que não queria com o filme mistificar ou desmistificar um dos mais importantes personagens da história latina. “Quando se mercantiliza a imagem, quando a toteniza, de certa forma, a distancia. Queríamos, com o filme, aproximar o Che. Queríamos algo antes do ícone”, disse.

Para isso, o diretor teve a colaboração de Granado, também presente na coletiva. Ele se mostrou bastante satisfeito com o resultado – elogiando diretor, atores e equipe técnica – e disse que o filme é “fiel ao que ele e Che viveram”.

O diretor brasileiro disse ainda que espera que, após ver o filme, o espectador vá atrás do pensamento de Che; do que ele escreveu, disse e fez. “E não simplesmente saia e compre uma camiseta”.

O ator Gael García Bernal, que interpreta Che no filme, contou que, quando a equipe refez a trajetória da viagem de Che e Alberto, perceberam que muitos dos problemas econômicos e sociais estavam igual ou piores do que os narrados pela dupla em seus diários. Segundo ele, o filme revela que o contexto é tão importante quanto os personagens nessa história.

O ator e o diretor concordaram em dizer que, após as filmagens, reconheceram-se como partes de um continente, nutrindo uma maior identidade com os demais países latino-americanos. Como se todas as pequenas partes fossem uma coisa maior. Nas palavras do ator Rodrigo de la Serna, que interpreta Granado, “minha casa agora se alargou”.

O filme deve entrar em cartaz no próximo dia 7 em todo o Brasil.

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