Até o final deste mês o governo realizará seminário para discutir os indicadores usados para medir a pobreza. Segundo a secretária-executiva do Programa Bolsa Família, Ana Fonseca, esse debate subsidiará o governo na criação de uma espécie de “cesta” de indicadores, com diferentes variantes para corrigir distorções na concessão de benefícios sociais, que atualmente leva em conta apenas a renda per capita dos membros das famílias.
Para a secretária, a sistemática de considerar apenas a renda familiar como indicador faz com que muitas vezes não se reconheçam as várias faces da pobreza. “Precisamos saber se a família tem energia elétrica, água encanada, acesso à educação. Não é apenas a renda monetária, pois numa cidade do interior há outras formas de troca”, salientou.
Durante reunião com a bancada petista ontem, Ana Fonseca disse que o estabelecimento de outras variáveis impedirá que recaia sobre os pobres a desconfiança de que eles estejam burlando a renda para se beneficiar dos programas sociais. O deputado Henrique Fontana (PT-RS) sugeriu, por exemplo, pesar e medir as crianças das famílias, para detectar quadros de desnutrição.
Atualmente as famílias são consideradas em situação de extrema pobreza se o rendimento per capita é de até R$ 50 mensais. Essas recebem um benefício fixo de R$ 50, independente de sua composição. A partir desse valor serão concedidos benefícios variáveis de R$ 15, por gestante, nutriz ou crianças entre zero e 15 anos, até o limite de três benefícios.
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