CPI CIMI: Pesquisador afirma lamenta realidade dos povos – de 2003 a 2015 ao menos 500 jovens Guarani-Kaiwoá entre 12 a 17 anos morreram vítimas de suicídio

CPI CIMI: Pesquisador afirma lamenta realidade dos povos – de 2003 a 2015 ao menos 500 jovens Guarani-Kaiwoá entre 12 a 17 anos morreram vítimas de suicídio

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mbora a realidade dos povos indígenas de MS esteja apenas como pano de fundo da CPI contra o CIMI, hoje, durante o depoimento do pesquisador, advogado, professor universitário e ex-assessor jurídico do CIMI (1989 -2002), Maucir Pauletti mencionou parte dessa situação que chama a atenção do mundo. Segundo ele, de 2003 até 2015, ao menos 500 jovens Guarani-Kaiwoás morreram vítimas de suicídio. “Isso intriga. Vi menino de 12, 13 anos amarrado em galho de árvore. O que o levaria a cometer essa situação? Tento encontrar uma situação para isso. Por que tantos jovens de 12 até 16, 17 anos cometem suicídio no momento de que o índio tem que tomar conta da sua vida?”.

O deputado estadual Pedro Kemp (PT) indagou Pauletti sobre a participação do CIMI na luta indígena, financiamento em retomadas e independência  nas decisões. Ficou claro que, conforme Pauletti, os indígenas têm autonomia, o CIMI é um apoiador dos povos e cobre a ausência deixada pelo Estado tendo como quadro: a falta de terras, miséria, trabalhos indignos, vulnerabilidade e morte. “Não há índio sem terra. É o mesmo ser índio sem mãe”.

 

CPI contra o CIMI: Kemp exige respeito à memória do historiador e indigenista Antonio Brand

CPI contra o CIMI: Kemp exige respeito à memória do historiador e indigenista Antonio Brand

“Tenho um respeito ao professor Brand que entregou a sua vida inteira pela causa indígena. Eu o reverencio pelo trabalho e dedicação”.

Em mais um “round” de oitivas a CPI contra o CIMI (Conselho Indigenista Missionário), instalada na Assembleia Legislativa, para apurar a suspeita de que uma das principais entidades solidárias às causas indígenas esteja por trás das retomadas das terras em MS, o clima esquentou. O deputado estadual Pedro Kemp (PT), membro da CPI e conhecidamente apoiador da luta pela demarcação com indenização aos produtores rurais que tenham terras de boa fé, passou cerca de cinco horas acompanhando a explanação do trabalhador rural, José Raul das Neves, dono de 400 hectares da fazenda Do Inho, em Rio Brilhante, vizinha da propriedade ocupada pelos guarani-kaiwoá – que reivindicam terras tradicionais – a Fazenda Santo Antonio.

Porém, durante as perguntas feitas pelos membros da CPI, que criticaram a ausência do procurador Marco Antonio Delfino (MPF), convidado para depor, mas que não pôde comparecer, foram feitas ironias sobre o trabalho de um dos mais respeitados pesquisadores indigenistas do País, o professor Antonio Brand (in memorian) como se o fato de ele ser historiador não tivesse méritos para estudar e auxiliar no mapa que mostra toda a nação guarani que atinge o Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai e serve de parâmetro para os estudos acadêmicos. Essa foi a gota d´água para Kemp.

“O mapa que vocês viram aí da nação guarani é simplesmente resultado de trabalho de pesquisa de várias instituições que produzem conhecimento. Não existe aquela paranóia de que os índios querem demarcar toda essa grande área minha gente! Parece que querem instaurar um estado islâmico. Da onde tiraram isso?”. Com a manifestação de ironia dos parlamentares membros da CPI que estiveram na oitiva de hoje (16), Kemp disparou:
“Vocês podem rir! Vocês falam aqui um monte de besteira e eu não posso me expressar?”. “Tenho um respeito ao professor Brand que entregou a sua vida inteira pela causa indígena. Eu o reverencio pelo trabalho e dedicação”.
A todo tempo Kemp explicou ao dono da fazenda Do Inho que o depoimento dele foi muito franco e que o sentimento do deputado de injustiça foi pontuado diante das falas dos deputados sobre Brand, o procurador Marco Antonio, o indigenista Egon Heck e também da antropóloga Kátia Vinhedo.

“O senhor (Raul) foi muito prudente em sua fala. O senhor deixou claro que houve uma briga na aldeia e uma parte dos índios liderados pelo cacique Farid foi para a área onde o senhor mora e que o senhor não tem provas de que o CIMI está nisso”, pontuou. O ruralista frisou várias vezes que se sente prejudicado pelo MPF e FUNAI, órgãos que defendem os interesses indígenas. Disse que já foi acusado injustamente de deixar uma criança de 9 meses morrer por não permitir a entrada de ambulância na fazenda e também pela morte por atropelamento de um jovem adolescente. Diante de sua inocência, conseguiu reunir provas, segundo ele. Sobre o CIMI, ele suspeita que a entidade missionária apoie as retomadas.

Tenso – Diante do clima tenso entre os membros da CPI do CIMI, Kemp mais uma vez explicou ponto a ponto do que ele chama de condenação prévia e sem isenção do Conselho Indigenista Missionário feita pela Comissão Parlamentar.
“Antes dos colonizadores, eles (índios) já estavam aqui e têm uma ligação de sangue com todos que vivem nessas áreas (Brasil, Paraguai, Argentina, Paraguai e Uruguai). Nós não precisamos ficar medo. O mapa foi amplamente divulgado, está na internet para fonte de pesquisas históricas e antropológicas. A gente tem que tomar muito cuidado com o que fala. Nós temos uma Constituição que diz que as terras têm que ser demarcadas (prazo da lei 5 anos após a promulgação da Constituição – o que não foi feito pelo governo brasileiro). Se houvesse isso, não haveria conflitos. Isso só se resolve com processo de negociação para indenização dos produtores e demarcação. (…) Sobre a antropóloga Kátia, ela foi contratada pela Funai de Brasília. É uma profissional que cometeu o crime de ser contratada para um trabalho. O Egon Heck (fonte tradicional nas reportagens locais, nacionais e internacionais), missionário do CIMI, indigenista que junto com Brand deu a sua vida e sempre fez aquilo que acreditou, um apoiador da causa indígena. Hoje, ele está doente. Registro todo meu respeito ao Egon Heck. Ele nem mora mais aqui sabe por que? Porque foi ameaçado de morte!”.

A fala do Kemp foi finalizada pela presidência da CPI logo após ele fazer a defesa do procurador Marco Delfino e cobrar a elucidação dos assassinatos dos indígenas na Comissão Parlamentar instalada para cobrar do Estado a solução para as mortes, doze que ao longo de dez anos teriam ocorrido por pistolagem.

“O procurador Marco Delfino não veio porque o chefe dele não liberou (durante a oitiva o fato do MPF ter justificado a falta de recursos rendeu ironias por parte dos parlamentares) . A CPI tem que cumprir o papel dela de convidá-lo novamente. Eu entendo que ele como servidor federal tem prerrogativas. Aqui disseram que irão chamá-lo para depor coercitivamente e de camburão…Ele cumpre com a obrigação constitucional porque trabalha na defesa dos interesses dos índios! Agora quando tentam minimizar dizendo que aqui (MS) não há assassinatos de índios (genocídio) e sim, índios que se matam entre sim é para minimizar o tamanho do problema! Simião Vilhalva não foi atropelado, foi morto com um bala na cabeça! Oziel! Xuriti! Marçal de Souza, que até hoje não teve a morte esclarecida! O Oziel morreu em Buriti numa ação desastrosa da Polícia Federal! Neste Estado não existe interesse em investigar as mortes de índios”, finalizou quando interrompido pelo fato de criticar operação da PF que resultou na morte do agente de saúde Oziel, em Sidrolândia. “Oziel foi morto! Eu fui ao velório dele. Tiveram que retirar o corpo de lá porque queriam enterrar sem perícia”.

Jacqueline Lopes – Assessoria Mandato Participativo Pedro Kemp – DRT-078/MS

Imagem da Internet : Mapa de 2008 (estudos feitos com o apoio de Brand) mostra onde vivem os guaranis na América do Sul. Veja no mapa (satélite) Brasil (MS), Paraguai, Argentina e Uruguai. Pesquisadores e índios chamam toda essa extensão de Nação Guarani. O aquífero leva o nome dos povos originários. Orgulho da nossa terra!

Kemp apresenta Projeto de Lei que tira da lavoura de MS agrotóxico cancerígeno – Vejam a lista de doenças

Kemp apresenta Projeto de Lei que tira da lavoura de MS agrotóxico cancerígeno – Vejam a lista de doenças

O glifosato está presente em insumos agrícolas e durante audiência pública que discutiu o problema na Assembleia Legislativa de MS veio a proposta de barrar a utilização do veneno na agricultura do Estado

Após o seminário “O Impacto do Uso de Agrotóxicos na Sociedade”, que aconteceu em agosto, fica pronto para virar lei um Projeto do deputado estadual Pedro Kemp (PT) que sintetiza um dos pontos mais importantes discutidos por pesquisadores das áreas da Saúde, Meio Ambiente e Alimentação. “Tirar o glifosato da agricultura de MS é importante e esse projeto está envolvendo vários segmentos da sociedade, representantes do Ministério Público Federal, além de contar com a participação de pesquisadores de renome no País. Durante os temas debatidos entre os participantes foi consenso que hoje há a utilização de forma indiscriminada de produtos a base de glifosato [N-(fosfonometil) glicina], um herbicida largamente utilizado para o controle de plantas daninhas, especialmente nas plantações de cana-de-açúcar e de soja. Em razão das vastas áreas em que se desenvolvem estas duas culturas, no Estado Mato Grosso do Sul, é alto o emprego do glifosato para o controle da produção. Esta utilização precisa, com urgência, ser reavaliada, uma vez que, mundialmente, o uso deste produto começa a ser proibído, por ter sido considerado cancerígeno pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer -International Agency for Research on Cancer, uma extensão da Organização Mundial da Saúde (OMS)”, detalha Kemp.

A possibilidade de dano irreparável ao meio ambiente e a saúde das pessoas, já mobilizou o Ministério Público Federal, que oficiou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Kemp ilustrou sua fala fazendo referência ao Programa Profissão Repórter que dedicou exclusividade para o assunto que mostra o Brasil como o campeão mundial em uso de agrotóxico e as conseqüências devastadoras à saúde.
“Diante deste quadro extremamente ameaçador aos habitantes de nosso Estado, é necessário que medidas de proteção comecem a ser seriamente debatidas, e uma delas consiste na proposição deste projeto de lei, de relevante interesse social, reivindicado por representantes de sociedade civil, cientistas e ambientalistas, na conclusão dos trabalhos do seminário, realizado nesta Casa de Leis. No que tange ao fundamento jurídico para proposição deste projeto de lei, o inciso VIII, do art. 24 da Constituição Federal assegura a União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre, responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor”.
No caso específico do uso do glifosato, a medida legislativa não somente prima pela proteção ao meio ambiente, como também proteção ao consumidor, uma vez que a produção de alimentos tanto da agricultura como da pecuária, de maneira direta ou indireta, pode ser contaminada com o uso do herbicida.” Desta forma, atendendo a reivindicação de segmentos da sociedade sul-mato-grossense, que propõe o banimento do uso do glifosato de nosso Estado, encaminhamos o presente projeto de lei para análise deste parlamento”.

Por mais de 20 anos são desenvolvidas pesquisas científicas que apontam de maneira incisiva, a relação do glifosato com o desenvolvimento de doenças. Um resumo dos relatórios científicos foi publicado pela Organic Consumers Fund, e nele são citadas 25 doenças relacionadas com a presença do produto químico na vida das pessoas como:

1 Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade: devido à capacidade do glifosato de afetar as funções hormonais da tireóide;

2 – Alzheimer: o glifosato causa o mesmo estresse oxidativo e morte de células neurais observados no Alzheimer.

3 – Anencefalia (defeito de nascimento): uma pesquisa sobre os defeitos no tubo neural de bebês, cujas mães viviam em um raio de mil metros de distância de onde se aplicava o pesticida, mostrou uma associação entre o glifosato e a anencefalia; a ausência de uma grande porção do cérebro, do crânio e do pericrânio formado durante o desenvolvimento do embrião.

4 – Autismo: o glifosato tem um número de efeitos biológicos alinhados a conhecidas patologias associadas ao autismo. Um desses paralelismos é a disbiose observada em crianças autistas e a toxicidade do glifosato para bactérias benéficas que combatem bactérias patológicas, assim como a alta resistência de bactérias patógenas ao glifosato.

5 – Defeitos de nascença: o glifosato pode alterar a vitamina A (ácido retinóico), uma via de comunicação celular crucial para o desenvolvimento normal do feto. Um estudo em uma família agricultora nos EUA, documentou elevados níveis de glifosato e defeitos de nascença em crianças, tais como ânus não perfurados, deficiências no crescimento hormonal, hipospádias (relacionada à normalidade da abertura urinária), defeitos no coração e micropênis.

6 – Câncer cerebral: em um estudo comparativo entre crianças sadias e crianças com câncer cerebral, os pesquisadores detectaram que, se um dos pais estivera exposto ao glifosato dois anos antes do nascimento da criança, as possibilidades de ela desenvolver câncer no cérebro dobravam.

7 – Câncer de mama: o glifosato induz o crescimento de células cancerígenas no peito por meio de receptores estrógenos.
8 – Câncer: pesquisas realizadas, de porta em porta, com 65 mil pessoas em comunidades agrárias da Argentina, nas quais o glifosato é utilizado, mostraram médias de câncer entre duas e quatro vezes maiores do que a média nacional, com altos índices de câncer de mama, próstata e pulmão.

9 – Intolerância ao glúten e doença celíaca: peixes expostos ao glifosato desenvolveram problemas digestivos que são reminiscentes da doença celíaca.

10 – Doença crônica nos rins: os aumentos no uso do glifosato poderiam explicar as recentes ocorrências de falências renais entre os agricultores da América Central, do Sri Lanka e da Índia. Os cientistas concluíram que, embora o glifosato por si só não provoque uma epidemia de doença renal crônica, parece que ele adquiriu a capacidade de destruir os tecidos renais de milhares de agricultores quando forma complexos com água calcária e metais nefrotóxicos.

11 – Colite: a toxidade do glifosato sobre bactérias benéficas que eliminam a clostridia, assim como a alta resistência da clostridia ao glifosato, poderia ser um fator significativo na predisposição ao sobrecrescimento da clostridia.

12 – Depressão: o glifosato altera os processos químicos que influem na produção da serotonina, um importante neurotransmissor que regula o ânimo, o apetite e o sono. O desajuste da serotonina é vinculado à depressão.

13 – Diabetes: Os níveis baixos de testosterona são um fator de risco para o tipo 2 de diabetes.

14 – Doença cardíaca: o glifosato pode alterar as enzimas do corpo, causando disfunção lisossomal, um fator importante nas doenças e falências cardíacas.

15 – Hipotireoidismo: uma pesquisa realizada, de porta em porta, com 65 mil pessoas em comunidades agrícolas, na Argentina, nas quais se usa glifosato, encontrou médias mais elevadas de hipotireoidismo.

16 – Doença inflamatória intestinal: o glifosato pode induzir a deficiência severa do triptófano, que pode levar a uma grave doença inflamatória intestinal que desajusta severamente a capacidade de absorver nutrientes por meio do aparato digestivo devido à inflamação, hemorragias ou diarreia.

17 – Doença hepática: doses muito baixas do glifosato podem alterar as funções das células no fígado, segundo um estudo publicado em 2009 na “Toxicology”.

18 – Doença de Lou Gehrig: a deficiência de sulfato no cérebro foi associada à Esclerose Lateral Amiotrófica. O glifosato altera a transmissão de sulfato do aparelho digestivo ao fígado, e poderia levar a uma deficiência de sulfato em todos os tecidos, incluindo o cérebro.

19 – Esclerose múltipla: encontrou-se uma correlação entre uma incidência aumentada de inflamação de intestino e a Esclerose Múltipla. O glifosato poderia ser um fator causal. A hipótese é que a inflamação intestinal induzida pelo glifosato faz com que bactérias do aparelho digestivo se infiltrem no sistema circulatório, ativando uma reação imune e, como consequência, uma desordem autoimune, resultando na destruição da bainha de mielina.

20 – Linfoma Não-Hodgkin: uma revisão sistemática e uma série de meta-análises de quase três décadas de pesquisas epidemiológicas sobre a relação entre o linfoma não-hodgkin e a exposição a pesticidas agrícolas concluiu que o linfoma de célula B tinha uma associação positiva com o glifosato.

21 – Doença de Parkinson: os efeitos danosos dos herbicidas sobre o cérebro foram reconhecidos como o principal fator ambiental associado a desordens neurodegenerativas, incluindo a doença de Parkinson. O início de Parkinson após a exposição ao glifosato foi bem documentado, e estudos em laboratório mostram que o glifosato provoca morte celular característica da doença.

22 – Problemas na gravidez (infertilidade, morte fetal, aborto espontâneo): o glifosato é tóxico para as células da placenta, o que, segundo os cientistas, explicaria os problemas na gravidez de trabalhadoras agrícolas expostas ao herbicida.

23 – Obesidade: uma experiência consistente na transmissão de uma bactéria do aparelho digestivo de um humano obeso para os aparelhos digestivos de ratos provocou obesidade nos ratos. Tendo o glifosato produzido uma mudança nas bactérias do aparelho digestivo de produtores de endotoxinas, a exposição ao glifosato poderia, dessa forma, contribuir com a obesidade.

24 – Problemas reprodutivos: estudos de laboratório em animais concluíram que os ratos machos expostos a altos níveis de glifosato, tanto no desenvolvimento pré-natal ou da puberdade, padecem de problemas reprodutivos, incluindo o atraso na puberdade, a baixa produção de esperma e a baixa produção de testosterona.

25 – Doenças respiratórias: as mesmas pesquisas com 65 mil pessoas na Argentina descobriram médias mais elevadas de doenças respiratórias crônicas.

Texto: Jacqueline Lopes – Assessoria de Imprensa Mandato Pedro Kemp DRT-078/MS

Com informações da Carta Capital

 

Governo FHC sofre criticas de desembargador de RR pelo trabalho junto aos índios da Raposa Serra do Sol feito por Ruth Cardoso

Governo FHC sofre criticas de desembargador de RR pelo trabalho junto aos índios da Raposa Serra do Sol feito por Ruth Cardoso

Realidade de povos indígenas de MS é de miséria e não pode ser comparada, afirma Kemp

____________________________________________Antropóloga Ruth Cardoso realizou trabalho com índios na Raposa Serra do Sol

Durante mais uma oitiva da CPI do CIMI, o deputado estadual Pedro Kemp (PT) explica ao depoente desembargador de Roraima, Alcir Gursen, que o foco da investigação aberta pela Assembleia Legislativa é a atuação da entidade ligada à Igreja Católica junto às comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul.

Para Kemp, o CIMI é uma das poucas apoiadoras da causa indígena e ao contrário de toda história de Roraima, onde Gursen critica muito as demarcações e o que segundo ele seria, forte influência dos missionários, Mato Grosso do Sul enfrenta uma realidade cruel vivida pelos povos originários.

Gursen criticou o governo FHC pelo papel exercido pela ex-primeira-dama Ruth Cardoso nas nas negociações com os índios sobre o modelo de demarcação da reserva Raposa/ Serra do Sol, localizada em Roraima.

Apoiador da demarcação, Kemp abriu um parêntese dizendo que a CPI do CIMI tem que se debruçar na história de MS e aproveitou para detalhar parte do problema enfrentado pelos indígenas que vivem à margem de seus direitos constitucionais.
“Nós temos aqui situação de miséria! O mais alto índice de suicídio do Mundo. Numa das vindas do ex-procurador geral da República ao MS, ele chegou a dizer que ‘aqui em MS, a vida de uma criança indígena, vale menos que uma vaca Nelore’.

Aqui, os índios ainda aguardam a demarcação que nunca acontece. O Estado no passado incentivou a colonização, a criação de fazendas e essas comunidades tiveram que sair e ficaram amontoadas em pequenas reservas espalhadas”.
Kemp acrescentou sua fala para Gursen detalhando parte da situação de conflito entre agricultores e indígenas, que tem resultado em violência e mortes de índios.

“Hoje vivemos uma situação de conflito, diante deste impasse que o Estado brasileiro deixou. Vemos como única saída a indenização dos proprietários rurais. Eles devem ser ressarcidos pelo Estado que cometeu um erro no passado”.

O parlamentar considerou exagero da parte de Gursen afirmar que as demarcações em áreas fronteiriças ou que incluam o Aquífero Guarani coloquem em risco a soberania nacional. “Existe no arcabouço jurídico a garantia dos direitos dos povos indígenas de viverem da forma diferente, do jeito que eles quiserem não sobrepondo soberania e com um modo de vida próprio”.

Ele citou os Ofaiés, da região do Bolsão (Três Lagoas), que tiveram que sair de suas terras à força por conta da construção da Usina hidrelétrica Engenheiro Sousa Dias e foram trazidos para a região tradicional dos Kadiwéus (Porto Murtinho/Bodoquena). “Os Ofaiés voltaram a pé para a sua área tradicional e ficaram ali próximos aonde foi inundado”. “Mas, hoje o nosso maior problema está entre os Guarani-Kaiowá. São mais ou menos 40 mil que precisam que o Estado brasileiro resolva a situação e não somos nós os não índios que vamos ditar o jeito que eles têm que viver”.

Gursen afirmou que no caso dos Kadiwéus, que receberam de Dom Pedro II o direito aos 500 mil hectares porque foram importantes na vitória do Brasil na Guerra do Paraguai, os indígenas são os proprietários plenos. Após a sua explanação, o depoente ainda debateu com os outros parlamentares.

O deputado Paulo Corrêa sugeriu que Gursen possa auxiliar o governador Reinaldo Azambuja através de trabalho em loco pra identificar o número de índios que vivem hoje em Mato Grosso do Sul. A Funai estima que cerca de 75 mil índios de 8 etnias vivem no Estado.

Porém, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística) em contagem geral de índios em áreas urbanas e os que vivem nas aldeias apresenta número ainda muito maior, cerca de 112 mil.

Texto: Jacqueline Lopes – assessoria de imprensa Mandato Participativo Pedro Kemp

Fotos: Internet/Wagner Guimarães/AL

 

Movimentos sociais cumprem papel que seria do Estado brasileiro, diz procurador da República em CPI do CIMI

Movimentos sociais cumprem papel que seria do Estado brasileiro, diz procurador da República em CPI do CIMI

 

Pedro Kemp convida Emerson Kalif para esclarecer na Assembleia triste realidade vivida pelos povos indígenas em Mato Grosso do Sul ____________________________________________________________________________________________

Em mais um depoimento o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) teve se papel de apoiadora ressaltado ao invés de criminalizado. Hoje (3) foi a vez do procurador chefe do MPF (Ministério Público Federal/MS) a convite do deputado estadual Pedro Kemp (PT), integrante da CPI do CIMI, expor toda situação conflituosa vivida pelos índios de MS, onde vivem 70 mil indígenas, que têm como apoiadores humanitários os movimentos sociais.

Kalif detalhou todo o trabalho do MPF na tentativa de junto com o Estado brasileiro garantir a indenização aos produtores rurais de boa fé e a devolução da terra ao povo originário, que segundo o procurador, foi obrigado a viver de forma deplorável e hoje, luta pelos seus direitos sem a intervenção externa e sim, por conhecer a Constituição Federal. “O CIMI hoje ocupa um espaço onde o Estado deveria ‘se fazer’ presente. Eu nunca vi incitação ou incentivo à retomadas por parte do CIMI”.  O procurador afirmou que em assembleias dos povos indígenas, as quais ele é convidado para esclarecer procedimentos judiciais e os trâmites dos processos, além de membros do CIMI, outros movimentos sociais como o Coletivo Terra Vermelha também participam. Mas, a tomada de decisão, segundo ele, é exclusiva dos indígenas. “Até porque o idioma falado é o da determinada etnia e é de quase nada compreensão”, explica afastando qualquer suspeita de criminalização do Conselho Indigenista.

Esclareceu com exemplos concretos de que o problema tem solução e ela vem sendo trabalhada desde o Governo Lula, mas falta vontade política para que a União compre as áreas tradicionais e haja acordo com os fazendeiros. Citou o Fundo Estadual Para Aquisição de Terras Indígenas, criado pelo ex-deputado estadual Laerte Tetila (PT). Kemp chegou a anunciar  há uma semana a possibilidade de uma tratativa com o governo federal que daria condições ao MS ter sua dívida de R$ 100 milhões ao mês perdoada por seis meses para que esses recursos pudessem ser usados neste fundo para a compra das terras. Kalif frisou que não basta apenas o governo federal querer, o governo do Estado também tem que estar disposto a auxiliar.

O procurador buscou em fatos históricos a origem do problema e categoricamente se posicionou contra os argumentos simplistas que preconiza a integração do índio aos costumes dos não indígenas. “Não conseguimos escravizá-los!”. “Basta que tenha alguém apoiando os indígenas que estaria cometendo crime. Isso é desproporcional!”, afirmou. Kalif disse ainda que a questão fundiária interfere diretamente em todas as formas de abandono enfrentadas pelas comunidades indígenas e só um esforço em conjunto de todos os governos juntos é que o problema poderia ser solucionado.

Ele criticou afirmações de que “é só mandar índios daqui para o Amazonas” e afirmou que hoje os índios de MS vivem em 0,2% de todo o território estadual quando que seriam suficientes a demarcação de apenas quase 3% da área. “Defendo a aquisição da área tradicional e não de qualquer área e defendo com revisão de limites e políticas públicas”.

Indagado sobre o papel do CIMI de levar o evangelho aos povos indígenas ao invés de levar solidariedade na luta pela terra, Kalif demonstrou que embora MS tenha a segunda maior população originária do País, a maioria dos parlamentares pouco conhece dos direitos indígenas. Didaticamente explicou que não se pode interferir na autodeterminação da comunidade indígena, em seus costumes e tradições a não ser que os índios peçam. Finaliza afirmando que “o Estado brasileiro quando se omite e permite que situações como essa aconteçam em zona de conflito, em casos de retomada, é preciso ser compreendido que nenhum ser humano conseguiria viver nessas situações, ficar esperando morrer sem fazer nada”.

O depoimento de Kalif durou quase três horas. As oitivas continuam com os produtores rurais Vanth Vanni Filho e Mirian Alves Corrêa.

Texto: Jacqueline Lopes – DRT-078/MS Assessoria de imprensa do Mandato Participativo Pedro Kemp

Fotos: Wagner Guimarães/AL